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Um ponto de vista.
Esta peça se presta a esclarecer meu ponto de vista sobre a moda. A quem isso irá interessar? Sinceramente, não sei. Mas com sorte pode ser que alcance uns e outros “antifashion” que andam por aí criticando a moda sem saber do que estão falando.
A capa da revista “Megazine” do Jornal O Globo de hoje (terça-feira, 23 de janeiro de 2007) traz a palavra fashion sob um x vermelho dizendo: “No mês das semanas de moda, o povo antifashion proclama seu ódio às passarelas na internet e diz que se veste como bem entende.”
Antes de qualquer coisa, te pergunto: Você conhece alguém antimúsica, anticinema ou antiarte? É bem provável que não. Certo? Afinal, não há razão para desdenhar aquilo que nos alimenta a alma e nos fortalece a identidade (A não ser que o discurso adotado seja aquele: não conheço, logo odeio - que pode muito bem ser substituído por: quem desdenha quer comprar).
Honestamente, acredito que a moda existe pelas exatas mesmas razões que a música, por exemplo. Ambas as expressões existem para lubrificar nossa própria existência. Para deixar a vida um pouco melhor, para ser um veículo de expressão de idéias. Para que possamos nos comunicar uns com os outros e, principalmente, com nós mesmos.
Assim como na música, um bom exemplo comparativo, a moda possui inúmeros estilos e histórias, envolve ídolos e astros, propaga idéias e influencia comportamentos. A moda não surgiu do nada, ou de uma cabeça fútil sem coisa melhor para pensar. Ela é a própria história, um reflexo dos tempos que foi sendo organizado e costurado por pessoas sensíveis ou geniais o bastante para captar as sutilezas das transformações e traduzi-las em tendências, sob a forma da moda.
De tempos em tempos, especialistas ou apreciadores de todo tipo de criação reúnem-se em festivais ou convenções para analisarem, ou simplesmente celebrarem, o que os criadores e produtores trazem de novidades. Assim é com o vinho, com a polenta, com a literatura, com o cinema, com a música, com a arte e, é claro, com a moda.
O fashion Rio e o SPFW são grandes festivais onde serão apresentadas as novas sugestões da moda, e de onde sairão bem cotadas, pela mídia especializada, as melhores idéias. Um festival de cinema irá apontar os melhores filmes; um festival de música, as bandas; de vinho, as melhores vinícolas e safras; de literatura, os melhores livros e escritores; e de moda, os melhores estilistas e tendências. É simples - Não há por que odiar a idéia de apontar os melhores. Lembre-se a moda não é uma imposição, mas um conjunto de idéias propostas.
Quantos best-sellers você já detestou? Quantos vencedores do 'Oscar' não foram chatos pra você? E nem por isso você passou a odiar o cinema ou a literatura, certo? Pois então, as tendências da moda são, teoricamente, boas sugestões de uso, nada além disso. E, portanto, apreciá-las ou não, é algo que só diz respeito a você.
Estar na moda é estar em dia consigo mesmo. Saber do que gosta e do que não gosta. É ter certeza que ama rock e odeia o sertanejo, que adora Nelson Motta e Clarice Lispector, mas não gosta de Stephen King; que ama jujuba, mas não gosta de chocolate (!).
Assim como a arte, a moda não impõe nem condena. Não quer ensinar ou explicar nada. Seu papel é somente inquietar e sugerir.
Aproveite a moda, ora bolas!
*Ah, e lembre-se que a antimoda é a própria matéria-prima fundamental da moda.
maria.
criado por noprovador
13:24:56