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"É função tácita da roupa preparar o instante da nudez".
Carlos Drummond de Andrade.
Gian Paolo Barbieri, anos 60
- Ok, genial Drummond, mas ela tem também uma função eloqüente: A de comunicar o tipo.
Chloé Sevigny, foto de Matt Jones.
(...)
Durante uma temporada de moda é possível perceber o grande poder de eloqüência da roupa. Alias, quanta reverberação! Nestes períodos, tanto a Marina da Glória no RJ, quanto o prédio da Bienal em SP, se transformam em grandes centros de expressão não verbal.
A sensação é de uma gritaria silenciosa - um verdadeiro escândalo mudo.
E mais, neste debate fashion, todo mundo quer falar.
Poder se montar e expressar (sem grandes pudores) o tipo que quiser é, na verdade, um dos grandes apelos destes eventos.
Afinal, é para lá que vão os caçadores de tendências de moda e de comportamento (que muitas vezes estão longe das passarelas mais comerciais).
Top Less Look - Rudi Genreich, anos 60.
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Contudo, neste blá blá blá visual, as mensagens transmitidas nem sempre são compreendidas - O tipo e a roupa devem estar em pleno acordo, do contrario o recado se perde.
Uma vez sobre um corpo de carne e osso, a roupa ganha vida e sentidos e passa a tentar ferozmente se expressar - Daí a importância de saber carregá-la.
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Desfile Sommer, verão 2008.
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A roupa pode, por si só, repelir ou atrair, agredir, enfeitiçar, assustar, angustiar, enlouquecer ou seduzir.
* E mais uma vez, não se engane: para cada escolha existe um projeto (secreto) de discurso.
- É tudo verdade pessoal....Veja a seguir duas histórias em que a roupa falou!
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Gisele, edição de julho da revista W.
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A campanhia tocava pela terceira vez quando, enrolada numa toalha azul, Juliana abriu a porta.
- Pois não?
A pergunta que se seguiu foi obvia na mesma proporção da irritação da moça que sentiu o chão ensopado pela água que lhe escorria dos cabelos.
- Ah, você estava no banho?
- Sim, estava. Em que posso te ajudar?
Resignada, dona Carlota, a síndica, entrou de volta no elevador que a trouxe prometendo que mais tarde voltaria com a convocação para uma reunião no dia seguinte e, é claro, com sua ladainha sobre a importância da manutenção do silêncio no condomínio.
Sim, a chatice daquela dona era uma razão forte o suficiente para, depois de tê-la visto pelo 'olho mágico', Juliana - que estava de ressaca da festa em seu apartamento na noite anterior - ter se 'montado': molhou a cabeça no tanque e se enrolou na melhor roupa espanta vizinho que existe - a toalha.
- Aquele truque não falhava.
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Gisele, edição de julho da revista W.
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Ah, tem também a da Paula que não tinha convite pra festa e, como eles não estavam à venda, saiu e comprou o melhor discurso abre portas da noite: Um vestido incrível (e caríssimo), curto e todo de paetês dourados. Quando saiu do táxi, linda como o sol, o vestido foi na frente gritando ‘licença, licença’ e como num passe de mágica as portas do salão se abriram e a host da casa, que também estava linda de dourado, a recebeu dizendo:
- Boa noite, fique à vontade.
- Hum... Não falei? Elas falam (e às vezes até entre si!)
mariaSanz.
criado por noprovador
22:35:42