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Sob meu, absolutamente, subjetivo ponto de vista.
Em 1905, Einstein publicou seu terceiro trabalho, que era sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento, e tratava do que ficou conhecido como Teoria Especial da Relatividade. Esta teoria se baseava no princípio de que toda medição do espaço e do tempo é subjetiva. - Peço licença à comunidade cientifica para (espancar)/simplificar a teoria e dizer que: Subjetivo é o que deriva do sujeito, ou seja, o que é subjetivo é, por princípio, individual, logo, variável.
Responda: Qual é o azul mais intenso do mundo? Essa é difícil...Vou facilitar: Qual é o azul mais intenso do mundo: o do céu, o do mar ou os dos olhos? Não tenha medo de responder, essa pergunta não tem resposta certa, ela é relativa, depende apenas do que você pensa.
É claro que a relatividade não se discute, sabemos que tudo é relativo por excelência, mas o que minha subjetividade quer alcançar com esta peça é a idéia de que na moda esta teoria tem uma aplicação especial.
Sinceramente - Este pensamento sobre a relatividade e a moda teve início desde que passei a trabalhar como produtora de moda. A percepção de que não há certo ou errado neste processo ficou óbvia, além de interessante. No inicio de qualquer criação geramos a angustia da necessidade de acertar, mas criar é diferente, criação é pura subjetividade – Não é como num cálculo ou fórmula matemática, onde os números batem e a conta fecha. Criar é como escolher o nome de um tom azul para dar ao céu.
Criar um look, para mim é como desenhar- Primeiro o papel em branco e a partir da primeira interferência começa um redemoinho de criação e solução de problemas, um traço chama o outro, as proporções pedem balanço, as cores e tons suplicam harmonia e, enquanto isso, hipnotizada por estes elementos vivos me deixo levar e dou asas à minha subjetividade (...dar asas é f.). Então, mas este conjunto de ações subjetivas depende apenas da mente criadora e de sua relativa capacidade de entrega e confiança. O resultado final? Isso é muito relativo (!), agradar, ou não o espectador é uma outra questão – (vejamos adiante...).
Ah, alem deste ponto, existe um outro aspecto fundamental de confronto com a relatividade na moda que é trabalhar com as modelos. Quando “em relação” à elas, que são invariavelmente lindas, altas e magras, fico momentaneamente condenada à baixa, feia e gorda (...) – É uma sensação horrível, com a qual já estou (quase) acostumada. Mas veja como inclusive este padrão da moda é muito relativo: Para as modelos, ser muito alta e magra é fundamental, para os estilistas, é funcional e prático, para nós as mortais, é admirável, para os homens em geral, é estranho e ponto. (me desculpem meninas, essa era minha oportunidade de vingança...)
Ilustração de Miguel Paiva. Bebel em cima do caixote, se coloca "em relação" às modelos.
Então você pergunta: Quem é o estilista mais genial? O mais criativo? Qual é o hit da estação? O que é a beleza? Depende. Depende. Depende. Depende. É re-la-ti-vo - Por isso ser melhor estilista, ou a melhor modelo, ou a mais elegante da festa é uma conquista relativa, depende, varia, é subjetivo.
Não existem certezas na moda e, para mim, é exatamente isso o que a faz tão fascinante!
“Gosto de confundir as pessoas, de tirá-las um pouco o equilíbrio” Nicolas Ghesquière – Esta frase do atual estilista da Balenciaga indica que a moda não quer explicar nada, dar certeza alguma ou indicar qualquer direção. Sua subjetividade é seu próprio fenômeno. Estilistas são artistas e suas criações as ferramentas para outras criações tão individuais e subjetivas quantos as deles.
Minha dica, se é que estou apta a dar dicas, é : Se tudo é mesmo relativo, então Use e Faça Exatamente o que Quiser - por que haverá sempre alguém que o desaprovará, então melhor que o façam Enquanto você se Satisfaz.
Ditas estas coisas relativamente interessadas e confusas, apresento sem grandes explicações algumas fotos do making of do editorial de fim de ano do Caderno Estilo – Enxergue como um teaser e fique à vontade para exercitar sua subjetividade e captar o conteúdo “Conforme” sua imaginação. Retocando o Make relativamente basico.
Em cima do banco para me colocar "em relação" à modelo.
*** Não perca o resultado final deste ensaio que será editado por ninguém menos que Thaiz Sabbagh ( A Editora da Caderno Estilo e minha chefinha, é claro!). - O ensaio será publicado na edição do dia 16 de dezembro.
maria.
criado por noprovador
10:03:49