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Este blog foi criado para tirar dos cabides pensamentos que devem ser experimentados. Não tenha receio de entrar neste ProvadoR que se propõe a ser amplo e livre de preconceitos. Entre. Prove. E fique à vontade para Levar o que quiser.

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Terra Blog

27.11.06

.: Bom dia Diversidade :.

categorias: happen

                    imagem da festa Infected Mushroom.

.: Sábado, 25.11.06, Skazi by Soul Vibes na Fazenda Camping - Barra do Jucú :.

É noite, e à noite, como se sabe, todos os gatos são pardos – é, no escuro somos todos iguais, nem mais nem menos.
É festa de música (?), diria trance, se tivesse certeza sobre a classificação daquele som – mas acredito que nome é coisa abstrata.
É uma grande reunião de pessoas de todos os tipos e idades com o propósito único de divertimento.
É dança, não há longos papos, cumprimentos ou ti-ti-ti - nesta festa de regozijo somos todos igualmente únicos e individuais.
É batida forte que cresce e evolui, depois retrocede para evoluir novamente, e se transformar numa cavalgada para carregar a multidão que pula e bate o pé no chão
É impossível não se contagiar.
É delicioso.

Na escuridão de brilhos néon e luz negra não enxergamos com detalhes, além do psicodélico telão, os meninos e meninas de óculos escuros, sorrisos, bonés, chapéus e pirulitos, a única visão possível é a de um espetáculo individual de ritmo exclusivo. 
                                    

Estudiosos diriam que este é um movimento múltiplo, próprio da pós-modernidade. Seguindo - (com a enorme possibilidade de estar espancando a teoria) - o pensamento de Marshall McLuhan, que no livro “Os meios de comunicação como extensões do homem” explica a valsa como um “meio quente”, por que sua dança é repetitiva, intensa e mecânica; e o Jazz como “meio frio”, justamente por seu diálogo ser informal e sua dança nada mecânica; Poderíamos dizer que o (psy?) trance, ou o que o valha, é experiência dupla, por que, se por um lado inclui todas as sensações externas, e gera nas pessoas o início de um furioso processo de preenchimento, como no jazz, é também uma experiência que “aquece” os sentidos, e se torna mecânica, como a valsa, por isso pode produzir hipnose. ** (O estudo dos meios quentes e frios é absolutamente interessante e recomendável, mas aqui peço licença para me abster de sua profundidade).

Voltemos à festa - (Deus me livre - Quem me dera) - ainda era noite escura e sob o efeito aquecido das batidas, portanto hipnotizados, dançávamos pardos até que o sol deu sua primeira espreguiçada anunciando seu despertar, e o céu passou de negro à marinho. E suavemente, como num bocejar preguiçoso, rostos foram surgindo na multidão, de pardos fomos ganhando cores, os cabelos ganharam tons, para mim, pessoas ganharam nomes, outras apenas fisionomias, algumas ganharam estilo, outros a falta dele, mas enfim os gatos deixaram o anonimato.

Quando pôs os dois pés no horizonte e azulou de vez o céu, nosso astro rei veio nervoso, foi mais radical que Skazi (formado pelos israelenses ASHER e B-BASS), o astro da festa. Contudo, para mim, o que o sol trouxe, além de muito calor, foi a Diversidade.
Este tipo de festa é mesmo um convite à liberdade de expressão,
razão pela qual cada um se veste e usa aquilo que bem entende - quando entende, é claro. Sim, por que, quem não sabia do que se tratava caiu na esparrela de ir usando salto alto fino, por exemplo. Mas o mais curioso a ser descrito eram as tribos nitidamente distinguíveis pelo vestuário: a tribo de short + bota (pata de ...não sei, algum bicho grande); a tribo dos meninos boné para o lado + óculos oakley - sem camisa; a tribo sandália rasteira de couro + jeans + camiseta; a tribo dos divertidos (de chapéus, perucas e afins); a tribo fashion de óculos aviador espelhados e camiseta justa; ah, eram tantas lindas curiosidades que formavam o verdadeiro mar da diversidade colorida.

                  (Foto Pepê). 

O vestuário-imagem, contudo, interessa na medida em que explica imediatamente um tipo comportamento e gera uma identificação (ou não). Eu vi as imagens, você está lendo uma descrição, a imagem é plena: um sistema saturado que propicia a compreensão e o fascínio, enquanto a palavra é fragmentária e pode propiciar o engano - Isso para dizer, que minha descrição não pretende a crítica, mas ao contrário, um elogio à multiplicidade pós-moderna.

Bom dia diferenças!
* Veja mais imagens no site do fotógrafo Pepê:  http://www.peperazzi.com.br/coberturas/geral/skazi_25112006/fotos1.asp

maria.

  • criado por  noprovador criado por noprovador
  • Postado em 07:41:36
8 comentários
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