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- Style – (Desperation Kills it!)
Das muitas percepções sobre Londres, uma das que mais me interessam é o fato de que estilo é conseqüência de ‘atitude com substância’ – o que isso significa?
Que roupas são meros reforços – e não passam de instrumentos para praticar idéias originais (e naturais) daquele que confia em si próprio;
E que não adianta esforço para marcar estilo: ou ele é original (como de Mr. Elton), ou um blefe óbvio.
Num caldeirão cultural fervilhante como a capital inglesa, fica clara a naturalidade, portanto, não-esforço, versus o máximo esforço.
Sex P.
A partir da década 60, como falamos na primeira peça londrina, a explosão da liberdade permitiu que todos experimentassem ser o que bem quisessem sob o lema ‘live and let live’. Londres se tornou referencia da própria liberdade - com muito estilo e ousadia.
Naquele período muitos estilos foram literalmente criados. Nascia ali a prerrogativa para liberar geral na arte, música, na moda e no cinema. (A exposição Panic Attack no Barbican Museum, em Londres, é uma mostra sobre como a arte se expressou durante a explosão do movimento punk - uma ótima oprtunidade de perceber a força da conexão entre arte, moda, música e cinema).
- Alguns movimentos e estilos certamente foram mais marcantes que outros, e hoje é possivel ver que aquela marca registrada deles continua impregnada no comportamento e aparência de toda sua descendência.
É muito interessante se deparar com caricaturas do punk, clubber ou rock nas ruas e metrôs, e constatar que o espírito destes estilos ainda circula feroz e nostalgicamente.
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'criadores' Warhol, Bianca Jagger e companhia, 70's.
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Contudo, apesar do clima de não julgamento, a favor da liberdade de expressão, é muito comum ver pessoas se esforçando para estabelecer um estilo preexistente; (fica faltando a personalidade, e parecendo coisa de fã clube...)
Seja copiando Kate Moss, ou a nova diva rebel do momento Amy Winehouse, se montando de punk ou fazendo uma caricatura de Boy Geoge ou Cindy Lauper nos anos 80;
Este comportamento não parece ter relação com o momento open-minded que aconteceu nas décadas passadas. Mas ao contrário, parece ter retrocedido ao tempo Vitoriano, quando os 'menos privilegiados' esforçavam-se para se vestir e parecer com os bem-aventurados.
just Bowie
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Sim, é verdade, mesmo na moderníssima Londres, fica claro o esforço para parecer: ‘moderno’.
Lá, a mídia é massiva e tem muito poder. Lança escândalos e tendências diárias, que impulsionam o violento consumo de moda, mas também padronizam comportamentos.
Ter estilo pode ser um ato literalmente político por ter como estratégia acreditar sobretudo em si mesmo. Não se deixar enlouquecer pela mídia, nem achar que para ter estilo é preciso ser magra, rica, jovem e famosa. É ter coragem para acreditar em suas próprias convicções, ao invés de repetir lemas erodidos, ou comprados em revistas.
Por fim, ter estilo pode ser um projeto ambicioso e arriscado, cuja única segurança está em acreditar, por conhecer bem, a si próprio.

always Bowie
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Londres é mesmo incrível! A atitude é forte e a montação, às vezes, é demais!
- Ah sim, tudo demais enjoa, já dizia a minha avó.
...Esforço fashion demais, maquiagem demais, cabelo demais, pode acabar plástico demais!
Nada pior que uma produção sintética, com brilho artificial ou com cara de dejà vu, seja em aqui, em Londres, Pequim ou no Peru!
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Estilo, charme, beleza e suco são melhores quando naturais.
...Sim, toda naturalidade depende de um effortlessness qualquer.
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mariaSanz.
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"É função tácita da roupa preparar o instante da nudez".
Carlos Drummond de Andrade.
Gian Paolo Barbieri, anos 60
- Ok, genial Drummond, mas ela tem também uma função eloqüente: A de comunicar o tipo.
Chloé Sevigny, foto de Matt Jones.
(...)
Durante uma temporada de moda é possível perceber o grande poder de eloqüência da roupa. Alias, quanta reverberação! Nestes períodos, tanto a Marina da Glória no RJ, quanto o prédio da Bienal em SP, se transformam em grandes centros de expressão não verbal.
A sensação é de uma gritaria silenciosa - um verdadeiro escândalo mudo.
E mais, neste debate fashion, todo mundo quer falar.
Poder se montar e expressar (sem grandes pudores) o tipo que quiser é, na verdade, um dos grandes apelos destes eventos.
Afinal, é para lá que vão os caçadores de tendências de moda e de comportamento (que muitas vezes estão longe das passarelas mais comerciais).
Top Less Look - Rudi Genreich, anos 60.
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Contudo, neste blá blá blá visual, as mensagens transmitidas nem sempre são compreendidas - O tipo e a roupa devem estar em pleno acordo, do contrario o recado se perde.
Uma vez sobre um corpo de carne e osso, a roupa ganha vida e sentidos e passa a tentar ferozmente se expressar - Daí a importância de saber carregá-la.
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Desfile Sommer, verão 2008.
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A roupa pode, por si só, repelir ou atrair, agredir, enfeitiçar, assustar, angustiar, enlouquecer ou seduzir.
* E mais uma vez, não se engane: para cada escolha existe um projeto (secreto) de discurso.
- É tudo verdade pessoal....Veja a seguir duas histórias em que a roupa falou!
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Gisele, edição de julho da revista W.
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A campanhia tocava pela terceira vez quando, enrolada numa toalha azul, Juliana abriu a porta.
- Pois não?
A pergunta que se seguiu foi obvia na mesma proporção da irritação da moça que sentiu o chão ensopado pela água que lhe escorria dos cabelos.
- Ah, você estava no banho?
- Sim, estava. Em que posso te ajudar?
Resignada, dona Carlota, a síndica, entrou de volta no elevador que a trouxe prometendo que mais tarde voltaria com a convocação para uma reunião no dia seguinte e, é claro, com sua ladainha sobre a importância da manutenção do silêncio no condomínio.
Sim, a chatice daquela dona era uma razão forte o suficiente para, depois de tê-la visto pelo 'olho mágico', Juliana - que estava de ressaca da festa em seu apartamento na noite anterior - ter se 'montado': molhou a cabeça no tanque e se enrolou na melhor roupa espanta vizinho que existe - a toalha.
- Aquele truque não falhava.
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Gisele, edição de julho da revista W.
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Ah, tem também a da Paula que não tinha convite pra festa e, como eles não estavam à venda, saiu e comprou o melhor discurso abre portas da noite: Um vestido incrível (e caríssimo), curto e todo de paetês dourados. Quando saiu do táxi, linda como o sol, o vestido foi na frente gritando ‘licença, licença’ e como num passe de mágica as portas do salão se abriram e a host da casa, que também estava linda de dourado, a recebeu dizendo:
- Boa noite, fique à vontade.
- Hum... Não falei? Elas falam (e às vezes até entre si!)
mariaSanz.
Do italiano cafone, indivíduo grosseiro, com aparência ou pretensão de sofisticação ou riqueza.
Veja bem,
Não há fatos, só interpretações.
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A moça entra na loja gargalhando ao celular. Põe a mão no bocal do aparelho enquanto aponta um par de sadálias de salto acrílico e se dirige a vendedora que lhe recebe sorrindo.
- Queridinha, pega pra mim um 36.
- Só um instante – Disse Jussara, que era nova na loja, e instigada pela ‘urgência’ da moça pensou em se apressar para ‘conferir’ o que já sabia, mas por uma idéia sem nome próprio, desacelerou e foi passeando até o estoque.
- Não, infelizmente só ficou esse par aí 35...Mas olha essa grade veio com a fôrma grande. Por que a senhora não experimenta? – Aplicou o velho golpe da fôrma, que é batata.
- Jaaackson – sem desligar o celular, ela acena se dirigindo ao rapaz que a aguarda de terno e balança um chaveiro-abridor-de-latas em movimentos circulares, do lado fora – Pode ir me esperar no carro.
Seus olhos dão um passeio pelas prateleiras reluzentes e recheadas.
– Tá bom, me deixa ver também aquele outro dourado ali. Oh, é 36, einh.
E então quase uma hora se passou sem que a moça tenha largado o celular por um só instante enquanto apontava (irritantemente) os pares que desejava experimentar.
Tomou café, gargalhou, fez caretas, falou da vida alheia e de como era chiquérrima. Reclamou dos preços, da colega de academia, do cheiro de cigarro do motorista (que irritava suas narinas), da creche das crianças e da novela. Praguejou contra alguém que não a teria convidado para alguma festa e contra a ex-empregada. Elogiou um ou dois sapatos e as próprias pernas. Até que enfim, satisfeita com o papo, desligou marcando um drink em sua piscina para o próximo sábado.
- Então tá querida, mil beijos e até sábado.
Deu um suspiro (daqueles que a gente dá depois de comer um prato de feijoada) e disse:
- Queridinha, vou levar estes cinco pares aí para experimentar em casa tá.
O sangue de Jussara desceu para os pés já inchados de tanto subir até o estoque. Era novata, não sabia como proceder diante daquele quadro. Não conhecia aquela mulher (apesar de ter ouvido toda ladainha dita ao telefone). Não tinha autorização para fazer consignações.
- Só um instante por favor, preciso ligar para minha gerente.
Pronto, aquela frase soou Maldita aos ouvidos da moça tagarela, que disse enfurecida:
- Minha filha, você sabe que eu sou?
Não podia negar que sua vontade era mandar aquela ‘se você não sabe como eu vou saber’, mas Jussara estava em apuros. Por um instante pensou que devia ter acompanhado mais as revistas. Depois, recobrou a consciência e disse calmamente que aquele era um procedimento de praxe.
Mas não adiantou.
- Minha filha, casualmente, estou de bom humor. O que não pretendo estragar na tentativa de explicar o grave erro que você está cometendo. Diga a sua gerente que a Dona @*%&@~*¨*! esteve aqui e saiu bastante aborrecida. Passar bem.
E tentou bater a porta de vidro, mas não conseguiu por que a mola era dura, o que a deixou ainda mais indignada.
No vazio daquela loja cheia de caixas de sapato reviradas, o som das batidas frenéticas do coração de Jussara abafava a música ambiente que tocava no cd player. Era um pesadelo ao vivo.
Reuniu as forças e arrumou a bagunça. Depois passou batom e aumentou o som. Se lembrou da simplicidade de seu avô (parafraseando Sócrates) ao dizer que 'vale mais sofrer uma injustiça que a cometer.'
Olhou-se no espelho, sentiu-se bem e sorriu para a jovem cliente de rabo-de-cavalo que entrava na loja.
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A miopia sobre si mesmo é um problema que merece atenção.
Quando avançada, embaça tudo e se transforma em cafonice ou falta de educação.
Contra este mal, já disse o sábio, existe recomendação: simplicidade, água e sabão.
mariasanz.
O título desta peça vem de Pathos, palavra grega que pode designar tanto paixão, emoção e excesso, quanto sofrimento.
A paixão deriva do grego paschein: algo que acontece à pessoa independente de sua vontade ou mesmo contra ela. De paschein deriva pathos e patologia.
Foto de Philippe Halsman, 'Bailarina'.
Nossos sentimentos e emoções não estão, como poderiam desejar alguns antigos filósofos, num compartimento isolado da mente, apto a ser habilitado ou desabilitado de acordo com a vontade.
A verdade, que é filha do tempo e não da autoridade (como teria dito Galileu), demonstrou que a compreensão da realidade não pode ser feita só de racionalidade e lógica, sem envolver o elemento afetivo ou emocional.
Nota: Nietzche e Shopenhauer, entre outros, foram filósofos ‘modernos’ que incluíram o pathos, ou seja, o componente afetivo, como essencialidade para compreender e acessar o mundo.
Ok. Somos seres racionais, mas também (e essencialmente) emotivos. Alguns menos, outros mais e outros (muito) mais ainda (como eu). Ser emotiva demais, sensível demais, apaixonada demais, é o meu caso (demais!).
Sou mesmo dada aos excessos. Esta é minha natureza, que por mais que tente domar, me domina. Portanto, convivendo com minha realidade feérica, tive que aprender a tirar algum proveito deste pathos, antes que ele o tirasse de mim e, como previam os antigos filósofos, se transformasse em pathologia.
Foto de mamãe, 'maria bailarina'.
Fantasiosa e exagerada, fui aos poucos descobrindo que enxergar poesia em tudo que vejo não é de todo mal - Mesmo quando ela se perde na minha tentativa de tradução (como pode estar acontecendo neste momento).
Assim, comecei também a perceber que a criatividade poderia se tornar uma matéria-prima de trabalho e passei a exercitá-la estudando, pesquisando e trabalhando. Já trabalhei com criação publicitária, gráfica, artística e por aí vai... Gosto de pensar que cada etapa foi essencial para chegar até esta (que como as outras, também é só mais uma etapa fundamental).
Oficialmente, meu trabalho, como produtora e styling, é criar imagens de moda. Mas eu enxergo o que faço como criação de personagens (com a ambição de que sejam corajosos o suficiente para inspirar outras pessoas). Aliás, mesmo informalmente, gosto de fazer (e encarnar) personagens de curta duração, e mais ainda, (adoro) estimular o personagem que existe dentro das pessoas – minhas amigas que o digam!
Fotografia de Horst P. 'around the clock'.
Bem, se você leu até aqui, merece saber que esta peça, com cara de confissão, também tem o objetivo secreto de estimular o seu pathos.
Tire proveito de suas emoções para criar ou reforçar seu estilo ou sua história. Ah, e não tenha medo do excesso.
“Um excesso de vez em quando é ótimo. Impede que a moderação se torne um hábito” (W. Somerset Maugham).
mariasanz
‘O supérfluo é uma coisa extremamente necessária.’ Voltaire.
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Detalhes - imagem da casa da estilista Adriana Barra. (visite o site da moça que é um luxo!)
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Visto a distancia, o substantivo masculino ‘luxo’ pode significar esnobismo e ostentação. Mas uma aproximação curiosa pode revelar sua face original: o luxo é caracterizado pelo adjetivo ‘exepcional’ e pelo substantivo feminino 'excelência' .
Note-se: A excelência e a excepcionalidade são obcecadas pelos detalhes - que são componentes primordiais dos sonhos e dos desejos.
Veja bem: Por exemplo, vestidos de noiva são brancos e lindos. Sim, mas o seu vestido de noiva não vai ser apenas branco e lindo. Vai ter um detalhe assim, outro assado, uma prega aqui, uma fita ali e, enfim, o seu vestido será feito dos detalhes que você sonhou.
Mesmo para a noiva menos hedonista, que pretenda se casar com modéstia, os detalhes, que são fundamentais (e invariavelmente a parte mais cara da festa), serão arquitetados de forma única para que, no fim de tudo, se possa ouvir de alguém a exclamação: - Nossa, ficou a sua cara! (ta vendo? tudo pelo fator excepcional).
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Mas luxo é também a excepcionalidade vendida através de produtos e serviços que atendem ao emocional.
É tanto que o famoso ‘Mercado de Luxo’ leva estratégicamente a tomada de decisão de compra para uma visão emocional e de sensações.
(Atenção meninas: esta é uma razão para dizer que nós mulheres somos presas preferenciais deste mercado. Ora, já está provado cientificamente que usamos mais o lado emotivo do cérebro e, pela lógica, sonhamos e queremos sempre mais).
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.detalhes são o Luxo.
É ainda importante dizer que o luxo ao qual me refiro não se confunde com bom gosto, brilho, preço alto, ou coisas do gênero bling bling. Não.
Aqui no ProvadoR, o luxo é bem aquele aplicado na frase ‘se dar ao luxo’ - de satisfazer um desejo.
- Pode ser o de ter que esperar 40 minutos na fila de espera de um restaurante só para satisfazer o desejo de comer seu prato preferido, ou o de pagar o dobro do preço por um quarto de hotel só por que ele tem vista para o mar, ou mesmo o de ter que dirigir horas a fio só para matar uma saudade.
- Só ?!
Não há razão que julgue o que é ou não é supérfluo quando o assunto é emoção.
Na próxima vez, dê-se ao luxo. Afinal, já disse o sábio: vida é feita de detalhes.
maria