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da cabeça aos pés.
:: Ah, minha tia Ruti
Se veste rimando
Como um poema gentil
De ritmo cadente e quase infantil ::

Paradoxal - Rimar a roupa num ritmo único que exprima um conceito singular e forte, prendendo a atenção do ‘espectador’ como um espetáculo, pode ser uma atitude potente com aroma naif .

Nos anos 60, revolucionários por sua natureza jovem, a feminilidade requintada imposta pelo new look de Dior foi quebrada por uma moda lúdica com formas, estampas e volumes sem qualquer compromisso com aquela antiga elegância.
A ‘combinação’ de peças de mesma padronagem estava na ordem do dia e a novidade eram os comprimentos e as estampas. Com uma porção do mesmo tecido criava-se um look uníssono, que podia ir do chapéu, passando pela bolsa, até a saia e blusa.
Naquele período entraram em voga estampas geométricas, floridas e de cores vivas (vale dizer que as flores, especialmente a margarida, eram símbolo da juventude e da naturalidade).
A atitude não era sexy, mas de menina-lolita e descontraída (é tanto que em fotos de moda dos anos 60 as modelos passam a fazer poses irregulares, ‘sem postura’, absolutamente diferente de tudo que fora feito no período de Dior).
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Outra prova do potencial lúdico da roupa, experimentado na década de 60, como forma expressão de liberdade, foi a ‘Op art’, que a partir de 65 entra em cena dando inicio a um momento de sensações na moda. A combinação de estampas de efeitos visuais criados a partir de desenhos bidimensionais dava vida e movimento à roupa.
Nesta temporada de Alta Costura/fall2007 em Paris, os desfiles de Givenchy, por Riccardo Tisci, e Chanel, por Karl Lagerfeld, me chamaram atenção com os looks ‘Matching from head to toe’.
Devo dizer que, apesar de toda licença poetica resguardada à Haut Couture, sinto que a idéia de ‘coordenação’ lembra uma ‘purificação’. Como se esta evocação pudesse ser sinal de um chamado à velha e boa ordem estética, uma forma de recomeço.






Desfiles de Givenchy e Chanel (veja mais em style.com).
- Como diria minha tia, a poesia clássica nunca será substituída pelo fluxo caótico do rap, por exemplo, por que a rima simples será sempre o melhor recomeço.
Ah, vamos Combinar! Apesar fantasiosa, esta harmonia quase óbvia não se curva ao tempo - É uma verdadeira, e clássica, jovem senhora.
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mariaSanz.