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E por falar em mistério, me lembrei da intimidade.
Uh...de perto é diferente.
Ah, a intimidade....Ela que, ora é tratada como a donzela preciosa a ser conquistada, ora como a grande vilã a ser exterminada, é tão desejada quanto temida por todos nós.
Diga honestamente: Das que vivem dentro de seu guarda roupa, com quantas peças você tem intimidade de fato? E com quantas delas não tem intimidade alguma, mas ao contrário, preserva uma grande cerimônia?
Existem aquelas roupas que a gente já compra com respeito. Seja pelo preço, pela grife ou pela ocasião, estas são as que irão ficar lá: penduradas num cabide esplendido esperando o dia e a hora exatas para serem usadas. Há vezes em que a sensação é de que ela é quem manda. Parece nunca estar pronta para ser usada, se faz de especial, cheia de personalidade...Olha, se não for seu vestido de noiva... É falta de intimidade.
Mas em compensação existem aquelas que até têm lá sua dignidade, mas de tanto serem usadas já nem são mais consideradas, coitadas... São ‘pau pra toda obra’. E pode até ser um clássico, mas de tanto 'contato', ela perde o encanto... É excesso de intimidade.
Ilustração de Ronaldo Fraga para o livro "Drummond selecionado e ilustrado".
Sério...Por um lado ter intimidade é essencial, mas por outro dá medo. Ter intimidade significa baixar as defesas, se expor, ser puro e, acima de tudo, ser comum.
Inclusive as roupas: É sempre mais seguro (e gostoso), acreditar num conceito criado sobre uma peça. Isso gera cerimônia, ou emoção. Aliás, este é o segredo do sucesso da moda; É ela que, associada à mídia, nos oferece um cardápio de conceitos e definições sobre as roupas (idéias em forma de tecidos) que, depois de depuradas por nosso gosto pessoal, receberão identidade. - Identidade esta com a qual escolheremos (ou não) nos relacionar.
Mas o segredo para se relacionar bem com a moda, contudo, (volto a dizer) é ter plena intimidade consigo.
Ter a certeza de que somos parte da natureza: Seres comuns, mas com pensamentos sofisticados. E que roupas, marcas, grifes e a moda são panos e atitudes impregnadas de identidade de pessoas comuns que, como eu e você, também têm idéias sofisticadas.
Enfim, tenho uma teoria que sempre funcionou comigo e que gosto de repassar:
Da próxima vez que comprar uma roupa do tipo 'especial', não fique cheio de cerimônia. Não se deixe intimidar e mostre quem manda: faça o momento para usá-la.
- Sabe aquela sua tia que de taaanto guardar a louça para um 'dia especial', nun-ca chegou a tirar a bendita da cristaleira?
Pois é, muitas pessoas fazem isso com as roupas sem se dar conta.
Ora, de roupa se tira proveito, não pó!
Mas lembre-se, intimidade demais também não é a melhor coisa. Bons relacionamentos exigem algum mistério e uma certa dose de magia, por isso, de vez em quando, se deixe seduzir e fantasie: Acredite no poder de um vestido trapézio de paetês vermelhos e deixe que ele crie asas e te leve para voar.
Maria.