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Vou começar esta peça dizendo que este ProvadoR é experimental, não tem compromisso demonstrativo de convencer ninguem...Meu desejo é, no máximo, Persuadir.
Na maioria dos casos a Inspiração não é uma amiga fiel, ela costuma ter vontade própria: aparece quando bem entende e se vai sem avisar. Para domá-la é preciso desapego - Ela é capaz de farejar a insegurança dos que precisam convencer.
Aliás, convencer todos os dias é uma tarefa muito dificil, ora, não é todo dia que temos o que dizer ao mundo...Há dias em que um par de resmungos, um jeans e uma camiseta podem significar um discurso completo. Mas o fato é que todo discurso procede de alguém e, apesar de nem sempre se dirigir especificamente a um outro alguém, ele vai buscar convencer ou persuadir.
Mas o interessante neste assunto é exatamente a diferença entre estes dois termos: O convencimento é um esforço direcionado à mente, fala com razão e tem provas objetivas, enquanto a persuasão tem caráter ideológico, é de domínio emotivo, se aproxima da arte da sedução.
Todo tipo de arte quer persuadir - raramente o discurso artistico é claro ou objetivo a ponto de convencer-nos a tomar alguma atitude; Mas seu interesse é satisfeito no instante em que nos toca a emoção. A subjetividade da criação nos estimula o pensamento, e se nos Inspira, pode também persuadir.
Rosana queria "convencer" a todos de era fina....Apostou, portanto, em provas objetivas para atingir o raciocínio lógico dos distraídos convidados da festa, ou sua platéia: Brincos enormes de pedras semi-preciosas; cabelos penteados em direção aos céus; lábios rubi; um estola de pele sintética; o vestido de cetim azul que, ainda bem, ficou igualzinho ao da revista Holla que estava na loja de tecidos; e para arrematar: A garantia da verossimilhança da alegação - uma bolsa toda grifada, estampada de logotipos, com uma letra dourada pendurada no centro. (excesso de inspiração, ou a falta completa dela?)
Seus argumentos eram claros, ela não queria deixar dúvidas, não deixou espaço para a imaginação alheia. Seu discurso não inspirou ninguém, no máximo, informou: Sim, não havia dúvidas, todos estavam convencidos de que ela era fina.
Enquanto isso, a criativa Rosa, que iria à mesma festa, não sabia bem o que usar, não tinha um discurso definido para aquela noite, mas sabia que iria se divertir e encontrar pessoas interessantes - queria se enfeitar: Lembrou-se de uma saia rodada branca; passou com ferro em cima da cama, uma camisa de botão azul clara; apanhou um lenço de seda florido, que já não usava fazia bastante tempo e amarrou nos cabelos, seus brincos compridos de madrepérola e nos pés uma sandália "saia e blusa" que, de tão antiga, fazia "a vintage".
Seu despretensioso discurso era curioso, subornava olhares interessados em saber algo mais - Foi justamente o entusiasmo e o improviso que Inspiraram, estimularam o pensamento alheio. E, como o enigmático sorriso da Gioconda (também conhecida como Mona LIsa), não convenceu ninguém, mas, sem dúvida, Persuadiu.
mariasanz.