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Sábado, sol - torpedinho pras meninas:
Vamos a la playa - Oh o-o-o-oh!
Todo mundo já sabe que em 1946 o estilista francês Louis Réard batizou sua invenção com o nome de um pequeno atol localizado no pacífico, onde os americanos haviam realizado uma série de testes nucleares. A idéia era que o lançamento da invenção de uma veste formada por apenas dois pequenos pedaços de tecido fosse bombástico! Contudo, foi só a partir dos anos 50 que, através das atrizes de cinema e das pin-ups, a invenção daquele francês passou a ser realmente divulgada e blá, blá, blá...
De lá pra cá, o resultado da evolução daqueles dois pedaços de pano você já sabe: o mundo inteiro usa e ama nosso artigo número um em exportação de moda: O Biquíni!
Sim, hoje nós brasileiros mandamos no pedaço e somos os lançadores mundiais de tendências neste segmento!
* Nesta semana produzimos para o Caderno Estilo um editorial de “moda praia” com nossos biquínis tipo exportação. Eu, a modelo Fabiana Testa e o fotógrafo Lucas Aboudib encaramos a estrada e o sol e nos molhamos no mar (com refletor e tudo, para desespero do Lucas) tudo para realizar este editorial que, nossa modéstia à parte, ficou lindo! (Não deixe de conferir no Caderno Estilo do dia 09-12)
Bastidores do Editorial
- Apanhar a produção para este ensaio me fez pensar numa porção de complexidades ligadas ao supostamente simples ato de ir à praia.
:. Não basta o biquíni, tem que enfeitar! .:
Para nós mulheres, ir à praia não é tão simples como dar o laço no biquíni...
- São itens básicos: a bolsa de praia, a canga, óculos de sol, chinelos, cadeira, protetor solar, protetor labial, bronzeador, barraca, pente, creme para os cabelos, viseira...
- São firúlas básicas: o brinco, o bracelete, a tornozeleira, aquele seu chapéu, a saia ou o vestidinho (vestidinho? como assim? É querida, a saída e a chegada na praia são tão ou mais interessantes que a estadia na areia!).
Graças aos itens básicos e às suas firúlas é que existe a tal moda praia! – Indústria que lucra sobre o desejo comum de se enfeitar só para ficar sobre uma porção de areia banhada pelo mar.
Na verdade, não sou destas que investe pesado nestes aparatos....Para ser sincera, raramente levo um protetor (mas passo em casa, tá!), não tenho cadeira, não levo pente, acabo pedindo um bronzeador emprestado aqui, outro ali....Nunca fui muito oraganizada...e minhas 'bolsas de praia' se acabavam antes da metade do verão...
Quando era adolescente, me lembro perfeitamente de um grupo das lindas ‘garotas mais velhas’: ‘as’ amigas da Na, irmã da minha amiga Ba, (que hoje são minhas também). - Quando o fim de ano se aproximava estas meninas preparavam um verdadeiro arsenal de praia:
A bolsa de cada uma delas era um deleite, uma mais bonita que a outra, e onde se encontrava de tudo:
O pente de dentes largos especiais para desembaraçar embiras, o protetor importado com cheirinho doce, o gloss com fator de proteção e brilho, o bronzeador em spray ma-ra-vilhoso, daqueles que só de passar já bronzeava, e o mais fabuloso: O Chá de Camomila Importado...Ah, o chá...Era quase um contrabando – Aquela que era a irmã da minha amiga trazia de viagem da Itália (da Itália!) um chá Italiano, italiano tá! Que clareava os cabelos e era ideal para a praia. E só, só aquelas meninas, todas loiras, é claro, é que tinham o tal chá. ...Era mesmo uma delícia poder ficar em torno delas ouvindo histórias, filando um pouquinho do chá aqui, de um bronzeador ali....(Que saudade daquela época).
Enfim, apesar de nunca ter tido uma bolsa de praia de fazer inveja – assim como meu estojo de escola, ou qualquer coisa que requeira organização, nunca fez inveja em ninguém – sei bem o que é ser apaixonada por areia + mar e, assim como qualquer menina louca por praia, adoro misturar as partes dos biquínis, descobrir um protetor novo, ficar horas batendo papo debaixo do sol e conferindo se a marca do biquíni já ficou mais forte, sentir o gosto de sal na pele, queimar os cabelos, chupar picolé, tomar cervejinha, passar bronzeador e jogar frescoball!
Há quem aproveite a praia para se abençoar! (Casório de Dani e Gonça em Marataízes).
Moda é Praia - Nasci e cresci na Ilha de Vitória, vizinha da Praia da Costa, de Maguinhos, Nova Almeida, Guarapari...Vivo na praia....(É, sério! O prédio onde moro foi construído sobre uma paria aterrada). Tanta intimidade com ela talvez seja a razão para minha falta de cerimônia....
É claro que a moda praia não impõe regras, sugere no mpaximo algumas tendências... Ficou apaixonada pelos biquínis da nova coleção? Compre seu preferido e peça outro de amigo x, misture com os antigos, use com velhas camisas brancas de botão, enrole o vestido, compre uma chita bem bonita e faça uma saia, corte a camiseta, invente sua moda praia e fique à vontade, não há com o que se preocupar, afinal, você vai sentar na areia!
Maria Sanz Martins.
imagem da festa Infected Mushroom.
.: Sábado, 25.11.06, Skazi by Soul Vibes na Fazenda Camping - Barra do Jucú :.
É noite, e à noite, como se sabe, todos os gatos são pardos – é, no escuro somos todos iguais, nem mais nem menos.
É festa de música (?), diria trance, se tivesse certeza sobre a classificação daquele som – mas acredito que nome é coisa abstrata.
É uma grande reunião de pessoas de todos os tipos e idades com o propósito único de divertimento.
É dança, não há longos papos, cumprimentos ou ti-ti-ti - nesta festa de regozijo somos todos igualmente únicos e individuais.
É batida forte que cresce e evolui, depois retrocede para evoluir novamente, e se transformar numa cavalgada para carregar a multidão que pula e bate o pé no chão
É impossível não se contagiar.
É delicioso.
Na escuridão de brilhos néon e luz negra não enxergamos com detalhes, além do psicodélico telão, os meninos e meninas de óculos escuros, sorrisos, bonés, chapéus e pirulitos, a única visão possível é a de um espetáculo individual de ritmo exclusivo.
Estudiosos diriam que este é um movimento múltiplo, próprio da pós-modernidade. Seguindo - (com a enorme possibilidade de estar espancando a teoria) - o pensamento de Marshall McLuhan, que no livro “Os meios de comunicação como extensões do homem” explica a valsa como um “meio quente”, por que sua dança é repetitiva, intensa e mecânica; e o Jazz como “meio frio”, justamente por seu diálogo ser informal e sua dança nada mecânica; Poderíamos dizer que o (psy?) trance, ou o que o valha, é experiência dupla, por que, se por um lado inclui todas as sensações externas, e gera nas pessoas o início de um furioso processo de preenchimento, como no jazz, é também uma experiência que “aquece” os sentidos, e se torna mecânica, como a valsa, por isso pode produzir hipnose. ** (O estudo dos meios quentes e frios é absolutamente interessante e recomendável, mas aqui peço licença para me abster de sua profundidade).
Voltemos à festa - (Deus me livre - Quem me dera) - ainda era noite escura e sob o efeito aquecido das batidas, portanto hipnotizados, dançávamos pardos até que o sol deu sua primeira espreguiçada anunciando seu despertar, e o céu passou de negro à marinho. E suavemente, como num bocejar preguiçoso, rostos foram surgindo na multidão, de pardos fomos ganhando cores, os cabelos ganharam tons, para mim, pessoas ganharam nomes, outras apenas fisionomias, algumas ganharam estilo, outros a falta dele, mas enfim os gatos deixaram o anonimato.
Quando pôs os dois pés no horizonte e azulou de vez o céu, nosso astro rei veio nervoso, foi mais radical que Skazi (formado pelos israelenses ASHER e B-BASS), o astro da festa. Contudo, para mim, o que o sol trouxe, além de muito calor, foi a Diversidade.
Este tipo de festa é mesmo um convite à liberdade de expressão, razão pela qual cada um se veste e usa aquilo que bem entende - quando entende, é claro. Sim, por que, quem não sabia do que se tratava caiu na esparrela de ir usando salto alto fino, por exemplo. Mas o mais curioso a ser descrito eram as tribos nitidamente distinguíveis pelo vestuário: a tribo de short + bota (pata de ...não sei, algum bicho grande); a tribo dos meninos boné para o lado + óculos oakley - sem camisa; a tribo sandália rasteira de couro + jeans + camiseta; a tribo dos divertidos (de chapéus, perucas e afins); a tribo fashion de óculos aviador espelhados e camiseta justa; ah, eram tantas lindas curiosidades que formavam o verdadeiro mar da diversidade colorida.
(Foto Pepê).
O vestuário-imagem, contudo, interessa na medida em que explica imediatamente um tipo comportamento e gera uma identificação (ou não). Eu vi as imagens, você está lendo uma descrição, a imagem é plena: um sistema saturado que propicia a compreensão e o fascínio, enquanto a palavra é fragmentária e pode propiciar o engano - Isso para dizer, que minha descrição não pretende a crítica, mas ao contrário, um elogio à multiplicidade pós-moderna.
Bom dia diferenças!
* Veja mais imagens no site do fotógrafo Pepê: http://www.peperazzi.com.br/coberturas/geral/skazi_25112006/fotos1.asp
maria.
ou Quem Indica.
Os indicados ao Oscar; os estilistas apontados pela revista L’Officiel; o sapato usado pela vizinha cafona; o livro indicado pelo seu chefe; o restaurante recomendado por sua amiga gourmet.... Cada um destes elementos é notado por indícios – Características deduzidas por associação.
Indicar, opinar ou apontar são atitudes que atribuem valores cujo peso é determinado por quem o faz. – (Estes valores irão se organizar sob a forma de linguagem, verbal ou não, para mais tarde formarem um significado).
Quando o namorado da menina lhe disse não ter gostado de seu novo corte de cabelo, ela pouco ligou. – Ela sabe que ele não entende lá grandes coisas sobre corte de cabelo. – Já quando sua prima ultra-fashion comentou que talvez tenha ficado curto demais, a menina caiu no choro.
Mas se ela namora o menino e não sua prima, por que a frustração?
Ser confiável pressupõe crédito, que por sua vez, pressupõe ‘boa’ intenção - Ou seja, a opinião ou o comentário será um índice confiável ou não em função do interesse de quem o profere.
A opinião do namorado sobre o corte de cabelo da menina era interessada em que ela deixasse de “inventar modas”, uma maneira masculina de dizer “você já é bonita” – E ela sabia que no fundo, para ele, ela continuava sendo.
Já a sincera opinião de sua prima era interessada em demonstrar conhecimento, o que a fez perceber que o cabeleireiro havia mesmo errado a mão.
Nossas mães, maridos, irmãos nos amam, o que nos faz deduzir que suas intenções são sempre as melhores.
Seria isso um índice de que todas as suas opiniões são confiáveis? Vejamos!
Para sair, você coloca um look da moda: branco total – E ainda diante do espelho, enquanto se decide sobre sua infinidade de brincos, eis que seu marido abre a porta do quarto e “opina”:
- Ué, mas hoje é reveillon? Não sabia...
Você se maquiou to-da e está pronta para sair
- tchau mãe.
- Mas você vai sair assim? Com essa cara lavada? Ah, passa um batom pelo menos.
Contente com o novo corte repicado, saindo do salão encontra sua irmã:
- O que você fez no cabelo? Ficou doida? Tá parecendo a prima da cuca!
Isso acontece por que existe uma intenção em forma de linguagem 'não-verbal' por trás destes comentários - Para perceber e lidar com seu significado é preciso conhecer o interesse de “Quem Indicou”.
Vamos voltar ao caso da moça do look branco-total:
A opinião do marido, marginal da moda, é interessada em saber se ela tem mesmo certeza de que não irá “pagar mico” saindo desse jeito...
Procurando a tal certeza, ela lembrou-se de outras opiniões, ou índices, positivos:
- A da vendedora da loja, que recomendou e vendeu o tal look – (Interessada na comissão da venda? Ou na boa vontade de transmitir uma tendência de moda?).
- A revista Vogue, que ela acabara de comprar – (Interessada em que ela compre e gaste com moda? Ou que ela conheça as novas tendências?).
...E existiam ainda outras coisas que a faziam ter certeza...Mas ela não lembrava ao certo.
Anos 50 e 60 - Vogue; Bazaar e The Observer; - Índices de moda.
A teoria geral dos signos - A Semiótica – que define o signo como toda e qualquer coisa que represente outra, em certa medida e para certos efeitos – Diria que não há necessidade de ‘traduzir’ o significado de sua vontade, por que ela também é uma linguagem não-verbal.
Humildemente, concordando com a semiótica, eu diria que sua decisão será tomada em função do QI – ou ‘quem indicou’ a formação daquele significado.
(Índices penetraram seu inconsciente de inúmeras formas: ela viu uma moça elegante toda de branco na joalheria, viu a atriz de branco na cena da novela, leu na revista, viu na loja...)
Foi a união destes índices que atribuiu uma significação para a moça, e agora, mesmo que seu marido duvide do bom gosto de sua escolha, ela terá razões “inexplicáveis” para acreditar em sua escolha.
Achou tudo isso uma loucura? Então, olhe agora mesmo para seus pés e procure encontrar o QI do seu sapato - Tenho certeza que de algum índice você irá se lembrar!
Maria.
Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin, kurt Cobain, Brian Jones, Jim Morrison - Invejosos de si.
Marilyn Monroe - A própria Inveja de si.
Assistindo a entrevista de um escalador de montanhas, que explicava a contradição na emoção sentida ao alcançar cume, fiquei curiosa.
Ele dizia que a escalada é um esporte fantástico por que quando se alcança o ápice da montanha o prazer misturado à emoção é orgástico, mas que este mesmo momento de gozo é também de perda e desolamento:
“É alguma coisa que vai assim tomando conta aos poucos, e enchendo de vazio o peito, por que um desafio alcançado é um desafio morto” - Disse ele.
Na vida real, onde os pés tocam o chão, esse fenômeno acontece em muitos momentos: desde os ordinários, de todos os dias, aos mais, digamos, glamourosos ... Sentimos o fim quando o pedaço de bolo acaba, quando acaba o livro, quando acaba a dieta, quando acaba a faculdade, quando acaba a festa...(Ah, quando acaba a festa é horrível...)
Toda completude traz um fim em si.
Clarice Lispector escreveu um conto, um tanto Rodriguiano, chamado “A mosca no mel (ou a inveja de si)” onde fala da história de Cláudia: uma mulher que vivia uma vida esplendida e um casamento absurdamente feliz;
“(...) Era uma mosca no mel.
Mas a mosca se afoga no grosso caldo melado. Come, mas morre.
Então ela pensou: ou me mato ou me desquito, por que chegamos ao ápice da vida. (...)”
Mais uma vez, a glória e o fim se encontraram no ápice.
Nesta terça-feira, dia 14 de novembro morreu por anorexia, aos 21 anos, a modelo Ana Carolina Reston. Ela, que media 1,74m e pesava 40kg, estava internada desde outubro com insuficiência renal e foi fatalmente acometida por uma infecção generalizada.
Com experiência profissional em países como Japão, China e Turquia, a linda jovem de cabelos castanhos e olhos verdes, tinha, além da carreira de modelo, o sonho de estudar engenharia naval.
Outra mosca no mel - Jovem e de beleza estonteante, seu maior desejo era ser, ainda mais, magra.
Este é o perigo na “Inveja de si” : ser incapaz de enxergar a vitória, e acabar por encontrar em seu lugar o abismo do vício, do exagero e da doença. Na disputa consigo a única vencedora é a auto-sabotagem.
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Está certo, talvez não tenha experiência de vida suficiente para aqui ficar tagarelando sobre um assunto tão complexo, mas como produtora de moda e trabalhando, portanto, diretamente com estas lindas jovens, me pego divagando sobre a glória e a dor de uma Top Model.
Ser linda, magra, alta, profissional, desfilar, fotografar editoriais e viajar o mundo, pode até parecer, mas não é tarefa fácil para meninas tão jovens -É preciso muita estrutura para suportar a competição, a pressão, as cobranças e o sucesso, sim, por que ele não está no topo sozinho.
Bastidores - A linda modelo capixaba Lisa Foeger, da agêcia Ragazzo, estrela do editorial de moda que será publicado neste sábado no caderno Estilo do Jornal A Gazeta.
* (Escalada com suporte - A agencia exige a participação dos pais na carreira da modelo; são altamente criteriosos no controle da saúde e dão suporte psicológico junto à família).
Sinceramente, desejo à todas jovens modelos que conquistem alguma sabedoria antes de conquistarem algum sucesso. - - A primeira não se acaba.
maria.
Aos poucos colocarei sobre os cabides deste provador algumas peças que nos ajudem a construir o tal estilo individual.
Para iniciar essa longa conversa tratemos de um assunto inerente à feminilidade, que é a glória para o mercado de moda, e a ruína deste gênero: Nós mulheres somos loucas.
Sim...Loucas por sapatos, bolsas, roupas, cheiros, maquiagens, cabelos, moda, e conseqüentemente, por novidades.
- Ai, que lindo!!!
Ter consciência deste nosso “defeitinho” de fábrica é um trunfo.
Muitas de nós não sabem lidar com suas “loucuras” e acabam gastando tempo e dinheiro demais na tentativa de saciar seus desejos.
Olha, não quero aqui parecer uma louca (!) com um guia de auto-ajuda, mas lançarei mão de um pertinente ensinamento Oriental que pode ser aplicado à moda: Conheça seu inimigo
(Philipe Halsman -Crânio de nus de Dalí - 1950).
Ao descobrir qual é de fato seu “ponto fraco”, a mina de seus desejos passa a ser controlável - Saber dosar nossos impulsos é fundamental, lembre-se: A diferença entre o remédio e o veneno está na dose..
Vou contar a historinha de uma moça que pensa que seu “ponto fraco” é ser louca por moda; Mas, na verdade, ela sofre de “insegurança-crônica” e falta de estilo. Para compensar esta falta, a moça compra novidades seguindo a lógica que ensina: Quem segue a moda, não está fora-dela.
E para não correr o risco algum - de estar fora-de-moda - compra uma roupa nova para cada novo sábado.
Fazendo isso, como se sabe, seu problema não acaba...As únicas coisas que acabam são seu salário, seus cabides, prateleiras e gavetas.
. A Crise .
A cena é clássica: Letícia está diante de um armário abarrotado de roupas sorridentes, loucas para darem um passeio, e ela com a pergunta de sempre na cabeça.
- Com que roupa eu vou?
Era uma festa bacana e todo mundo estaria lá, inclusive Mauro, sua nova paixão platônica. Ela e seu gordo armário estavam em crise já fazia algum tempo, e toda vez que lhe abria as portas a velha ladainha de reclamações começava. E entre um resmungo e um lamento sua insegurança a fazia dizer:
- Por que não comprei uma roupa nova?
Todas as vezes que dizia isso Letícia magoava suas roupas com a esnobação. Mas desta vez, seu sábio e, literalmente, sambado Vestido-Envelope-Preto começou um levante:
- Olha aqui menina, quero te dizer uma coisa: você quer novidade por que ela te dá se-gu-ran-ça. Pare e pense por que tem andado tão insegura ao invés de ficar comprando mais e mais roupas novas. Ah, tenha estilo próprio! Nós daqui do armário podemos nos tranformar no que você quiser....O que foi? Perdemos o encanto? Ou será que você não consegue se encantar consigo mesma?
O Jeans-Levis-Escuro continua o protesto:
- É, há pouco tempo eu era nova, fui a uma festa, num jantar, vi 2 filmes no cinema...e agora fico aqui mofando junto de minhas colegas...Desde que você comprou sua skinny jeans que não vejo o mundo lá fora...Não é justo.
Sua adorável, mas careta, Saia-de-Pregas-Lilás tenta por panos quentes:
- Calma gente, tá certo que agora pra toda nova festa ela compra uma “roupa nova”, e isso aumenta o contingente e o aperto aqui no armário. Mas isso não é culpa dela, o problema é a sociedade de consumo em que ela vive....
A exibida Mini-Saia-Pink esbraveja:
- Ah, não fala bobagem, você é lilás e cheia de pregas...Eu sou pink e sei das coisas, fui criada por Mary Quant minha querida, não vou sair de moda nunca! Essa Letícia é uma boba, isso sim.
Letícia, que continuava fazendo caretas diante de seu rebelde amontoado de roupas, apanha do cabide um Clássico Tubinho-Marinho e o coloca sobre o corpo se olhando no espelho, e ele, diante de todas as outras roupas, pondera com sua voz de locutor de AM:
- Ordem, Caros Colegas, para início de conversa ela não pode nos ouvir. E depois, seu único desejo é ser aceita e admirada pelos outros, da mesma forma que nós desejamos seu amor e sua atenção.
Inocente do que se passa diante de seus olhos, ela, louca de raiva, joga o clássico Tubinho-Marinho no chão e aos berros proclama sua verdade, mais que convicta:
- Eu não tenho roupa!!!
...Vai dizer que nós mulheres não vemos coisas...
* Obs - Saiba mais sobre nosso inerente desejo por novidades na próxima peça do ProvadorHype, da Revista HYPE que sairá do forno na primeira semana de dezembro. Ah, a Revista trás ainda uma entrevista exclusiva com a estilista mineira Graça Ottoni – Imperdível.
Maria Sanz Martins.